A Realidade do SUS: Financiamento, Falhas e a Necessidade de Mudanças



Introdução

O Sistema Único de Saúde (SUS) é um dos maiores sistemas públicos de saúde do mundo, atendendo mais de 200 milhões de pessoas. Criado para garantir saúde universal e gratuita, ele é financiado por todos nós, brasileiros, através de impostos. No entanto, a realidade enfrentada por milhões de usuários do SUS está longe de ser a prometida. Filas intermináveis, falta de medicamentos, infraestrutura precária e má gestão são apenas alguns dos problemas que afetam o sistema. Neste artigo, vamos explorar como o SUS é financiado, os principais desafios que enfrenta e o que pode ser feito para melhorá-lo.

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Quem financia o SUS?

Ao contrário do que muitos pensam, o SUS não é gratuito. Ele é financiado por meio de uma das maiores cargas tributárias do mundo, com impostos como IR (Imposto de Renda), ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) e contribuições sociais. O Brasil tem uma carga tributária de cerca de 33% do PIB, uma das mais altas do mundo. No entanto, apenas 4% a 5% desse total são destinados à saúde pública. Isso significa que, para cada R$ 100 pagos em impostos, apenas R$ 4 vão para o SUS.

Enquanto isso, o governo gasta mais com juros da dívida pública do que com saúde. Em 2022, por exemplo, os gastos com saúde foram de R$ 150 bilhões, enquanto os juros da dívida consumiram R$ 400 bilhões. Comparando com outros países, o Brasil investe menos da metade do que nações como Reino Unido, Canadá e França, que destinam entre 8% e 10% do PIB para a saúde. Esses países possuem sistemas de saúde mais eficientes, onde um paciente com câncer, por exemplo, pode iniciar o tratamento em menos de 30 dias. No Brasil, a espera pode levar meses, e muitos pacientes morrem antes de receber atendimento.

O problema não é apenas a quantidade de recursos, mas também como eles são aplicados. Pagamos muito, mas o retorno é insuficiente. O dinheiro que deveria melhorar hospitais e postos de saúde acaba sendo mal administrado ou desviado.

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Os problemas do SUS

Má gestão e corrupção

Parte dos recursos do SUS é mal administrada ou até desviada. Em 2021, o Tribunal de Contas da União (TCU) identificou irregularidades em mais de R$ 1 bilhão em gastos da saúde pública. Durante a pandemia, casos de superfaturamento de respiradores e máscaras chegaram a R$ 600 milhões. A falta de transparência e controle sobre como o dinheiro é aplicado resulta em desperdício e falta de investimentos em áreas críticas, como medicamentos e equipamentos.

Falta de infraestrutura

Muitas unidades de saúde sofrem com a falta de equipamentos, medicamentos e leitos. Segundo o Conselho Federal de Medicina, mais de 50% dos hospitais públicos não têm condições adequadas de funcionamento. O Brasil tem apenas 2,2 leitos de UTI para cada 10 mil habitantes, enquanto a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é de 5 a 10 leitos. Durante a pandemia, essa deficiência ficou ainda mais evidente. Em 2022, mais de 300 mil pessoas morreram na fila por cirurgias e tratamentos, muitas delas esperando anos por uma vaga.

Desigualdades regionais

Enquanto grandes cidades têm acesso a tratamentos complexos, como transplantes, muitas regiões do país sequer têm postos de saúde adequados. No Norte e Nordeste, por exemplo, a falta de médicos e equipamentos é crítica. Dados do IBGE mostram que mais de 30% dos municípios brasileiros não têm leitos de UTI, e 15% não têm sequer um médico de plantão.

Sobrecarga dos profissionais

Médicos e enfermeiros trabalham em condições precárias, com salários baixos e carga horária excessiva. Muitos profissionais migram para a rede privada, deixando o SUS ainda mais desfalcado. Em 2021, uma pesquisa da Fiocruz revelou que 70% dos profissionais de saúde relataram burnout durante a pandemia, com jornadas de até 80 horas semanais. A falta de valorização dos profissionais de saúde afeta diretamente a qualidade do atendimento. Como podemos esperar um SUS eficiente se quem cuida da nossa saúde está exausto e desmotivado?

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A realidade do atendimento

Histórias como a de Maria, de 60 anos, que esperou mais de dois anos por uma cirurgia de catarata e quase perdeu a visão, ou a de João, de 45 anos, que faleceu após esperar 12 horas por um leito de UTI, são comuns no SUS. Segundo o Conselho Federal de Medicina, mais de 70% dos brasileiros dependem exclusivamente do SUS. No entanto, em 2022, mais de 300 mil pessoas morreram na fila por cirurgias e tratamentos. A falta de medicamentos é outro problema grave: em 2021, mais de 50% dos postos de saúde relataram falta de remédios básicos, como insulina e antihipertensivos.

Isso não é apenas um problema de saúde pública, é uma questão de direitos humanos. Como podemos aceitar que pessoas morram na fila por atendimento?

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Possíveis soluções

Para melhorar o SUS, algumas medidas são urgentes:

1. Maior transparência: Ferramentas como portais de dados abertos podem ajudar a população a monitorar como o dinheiro está sendo gasto.
2. Aumento do investimento: O Brasil precisa aumentar o percentual do PIB destinado à saúde, seguindo exemplos de países que investem mais e têm sistemas mais eficientes.
3. Valorização dos profissionais: Melhores salários e condições de trabalho para médicos, enfermeiros e outros profissionais de saúde são essenciais para melhorar o atendimento.
4. Participação popular: A sociedade precisa se envolver mais, cobrando resultados e participando de conselhos de saúde locais. A pressão popular é fundamental para mudanças reais.

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Conclusão

O SUS é financiado por nós, mas sofre com má gestão, subfinanciamento e falta de priorização política. O resultado é um sistema que não atende às necessidades da população. Pagamos uma das maiores cargas tributárias do mundo, mas o retorno em saúde pública é insuficiente. Precisamos cobrar mais transparência e eficiência dos governantes. Afinal, é o nosso dinheiro que está sendo usado.

A saúde pública é um direito de todos, mas só será efetiva com investimentos adequados e gestão competente. Se você já passou por dificuldades no SUS, compartilhe sua história. Assine petições, participe de audiências públicas e cobre seus representantes. A mudança começa com a nossa voz. Juntos, podemos pressionar por um SUS que funcione de verdade.

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